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domingo, 19 de janeiro de 2014

Zeca Afonso (José Afonso)

Monumento de Zeca Afonso em Mértola
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, conhecido por Zeca Afonso, nasceu em Aveiro, 2 de Agosto de 1929  e morreu Setúbal, 23 de Fevereiro de 1987. Cantor e compositor português, ficou conhecido pela oposição manifesta ao regime ditatorial de Salazar.
Começou por interpretar fados de Coimbra, quando ainda frequentava a Faculdade de Letras daquela cidade, onde também gravou o seu primeiro disco, em 1958.
Em 1963 termina a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, com uma tese sobre Jean-Paul Sartre, intitulada Implicações substancialistas na filosofia sartriana. E edita os primeiros temas de carácter vincadamente político, Os Vampiros e Menino do Bairro Negro — o primeiro contra a opressão do capitalismo, o segundo, inspirado na miséria do Bairro do Barredo, no Porto — integravam o disco Baladas de Coimbra, proibido pela Censura. Os Vampiros, e Trova do Vento que Passa, um poema de Manuel Alegre musicado e cantado por Adriano Correia de Oliveira, viriam a tornar-se símbolos da resistência anti-Salazarista.
Em 1964 uma actuação na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, inspira a canção Grândola, Vila Morena, que viria a ser a senha do Movimento das Forças Armadas no golpe de 25 de Abril de 1974. No mesmo são lançados os álbuns Cantares de José Afonso e Baladas e Canções.
Em 1969 participa no I Encontro da Chanson Portugaise de Combat, em Paris. Grava Cantares do Andarilho, recebendo o prémio da Casa da Imprensa pelo Melhor Disco do Ano, e o prémio da Melhor Interpretação. Para fugir à censura da época, Zeca Afonso passa a ser tratado nos jornais pelo anagrama Esoj Osnofa.
Em 1971 lança Cantigas do Maio, onde figura Grândola, Vila Morena, e o LP Eu vou ser como a toupeira. Canta no III Congresso da Oposição Democrática em 1973 e grava o álbum Venham mais Cinco.
A seguir à Revolução de 25 de Abril de 1974, apoia diversos movimentos, em Portugal e no estrangeiro, e retoma a sua função de professor. Gravou o LP Coro dos Tribunais, envolve-se em sessões do Canto Livre Perseguido e em campanhas de alfabetização do MFA.
Os seus últimos espectáculos terão lugar nos coliseus de Lisboa e do Porto, em 1983, numa fase avançada da sua doença. No final desse ano é-lhe atribuída a Ordem da Liberdade, que recusa.
Em 1985, é editado o seu último álbum de originais, Galinhas do Mato. Devido à doença, Zeca não consegue interpretar todas as músicas previstas. O álbum acaba por ser completado por José Mário Branco, Sérgio Godinho, Helena Vieira, Fausto e Luís Represas.